Psicólogo | NOTÍCIA

A amamentação e a culpa materna

A dificuldade para amamentar gera culpa, além de frustração

Publicado em 10/04/2019

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A amamentação e a culpa materna

Por aqui, a cada texto reforçamos: “o leite materno é o alimento mais completo para o bebê”; “o aleitamento materno deve ser exclusivo até os seis meses do bebê”; “o leite materno tem todos os nutrientes que o bebê precisa”. Além disso, já destacamos que o vínculo entre mãe e filho é fortalecido na amamentação, que criança que mama no peito adoece menos e tem crescimento e desenvolvimento mais favorecido do que aquelas não amamentadas.

 

Portanto, não faltam motivos para que essa prática seja incentivada e seja considerada uma maravilha da qual todas as mães devem adotar. Certo!?

 

Porém, a amamentação não é um ato tão simples quanto parece. Aquelas fotos lindas de mães amamentando sorrindo, maquiadas e felizes não representam todas as fases do aleitamento materno. Para algumas mulheres pode até ser tranquilo, para outras trona-se realmente um grande desafio. E aí, é comum mulheres que não conseguem amamentar, seja por motivos físicos ou emocionais, sofrerem, se sentirem culpadas. Aliás, culpa e maternidade parecem caminhar juntas (ou muito próximas).

 

Estudos nacionais mostram que muitas mulheres têm dificuldades para amamentar. A dor, a privação do sono (porque é normal o bebê acordar à noite para mamar) e a dificuldade inicial para aprender a amamentar são consideradas pelas mulheres como os principais obstáculos para o aleitamento materno.

 

Além disso, há de se considerar que algumas mulheres têm vergonha ou não se sentem confortáveis em amamentar em público e a prática da amamentação é influenciada diretamente por todos, pela família, pelos amigos, pelas redes sociais online, pela mídia, enfim... é uma prática desafiadora para algumas mulheres. Mas, o que chama atenção é que alguns estudos mostram que mulheres que não conseguiram amamentam se sentiram culpadas.

 

Na verdade, com a maternidade a culpa parece estar presente nas escolhas da mulher. É culpa por não ter muito tempo junto aos filhos por precisar estudar ou trabalhar, é culpa por não ter realizado o parto como idealizava, culpa por separar do marido ou por se manter em um relacionamento infeliz, culpa por deixar os filhos com a avó ou por contratar babá, por colocar o filho em creche... e entre tantas culpas, a culpabilidade por não ter sucesso no aleitamento materno não fica de fora dessa imensa lista.

 

E a sociedade atual parece incentivar esse sentimento de culpa, porque pouco acolhe, mas muito julga!

 

A prática de aleitamento materno tem influência de todos os lados, há sempre alguém que diz: “dá mamadeira”. Geralmente as mesmas pessoas que “oferecem a mamadeira”, não estendem as mãos para acolher e apoiar as escolhas, mas estão ali para lembrar: “você que desistiu do aleitamento”. E mesmo quando os motivos para não amamentar são inerentes a mulher, ela sente culpa, se sente “menos” por não conseguir amamentar. Afinal, qual a mãe não gostaria de dar ao seu filho o melhor alimento? Qual mãe não gostaria de alimentar o filho e deixá-lo forte, protegido contra doenças e crescendo saudavelmente?

 

Sabemos que nem tudo sai exatamente como planejado, ainda mais quando nos referimos a uma prática que depende também do bebê. Mas tenha consciência de que a culpabilidade não ajuda em nada. Ninguém é “menos” por ter dificuldade para amamentar ou até mesmo por não conseguir amamentar. Amamentar é um ato maravilhoso sim, mas é difícil na maioria das vezes.

 

Você quer amamentar? Busque conhecimento! Converse sobre o assunto. Procure um profissional que esclareça suas dúvidas. Contrate uma consultora em aleitamento materno, faça cursos específicos ainda na gestação. Como falamos, a maternidade e a culpabilidade são muito próximas, não carregue a culpa sobre o que envolve a amamentação também.

 

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@amparomaterno

@somosmaesdeprimeiraviagem


 
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